quarta-feira, 12 de maio de 2010

Primeira aula: Noções básicas de Cartografia Geográfica Crítica

Introdução e Justificativa

O presente trabalho é motivado pela disciplina, de Geoprocessamento, ministrada pela professora Arlete Meneguette, no 1° semestre de 2010, na FCT/UNESP. Este trabalho adquire relevância pela tentativa de estabelecer um paralelo entre os conhecimentos teóricos sobre geoprocessamento adquiridos ao longo do curso e sua real aplicação para uma leitura crítica dos produtos cartográficos, na tentativa de desmitificar os mitos que pairam sobre a Questão Agrária brasileira.

Em verdade, o objetivo maior reside intentarmos apreender os mecanismos e possibilidades de uso da linguagem cartográfica para a transmissão do conhecimento, ou melhor, da cartografia geográfica crítica, porque acreditamos, que as atividades didáticas que visam a demonstração na prática das teorias devem ser exaltadas, pois possibilitam aos estudantes uma maior compreensão dos conhecimentos transmitidos em sala de aula. Está compreensão torna-se essencial, porque é a partir daí, que os estudantes poderão encontrar algum significado naquilo em que estão apreendendo, podendo intervir na realidade que estes vivenciam.

Para realização deste trabalho, iremos pelo seguinte caminho: primeiro apresentaremos as noções básicas de cartografia geográfica crítica, num segundo momento discorreremos sobre como obter e instalar o aplicativo Philcarto 4.5, na terceira aula demostraremos como capturar os dados do sistema IBGE/SIDRA, no quarto item discutiremos sobre o manejo dos dados e elaboração do mapa através do Philcarto 4.5, na quinta aula apresentamos a edição dos mapas e obtenção do produto final, por fim teceremos nossas considerações finais, tentando apontar qual a utilidade desta metodologia de estudo para o conjunto da sociedade.


O que é Cartografia Geográfica Crítica

Neste trabalho, visamos ampliar as técnicas de geografia cartográfica crítica nos programas Philcarto 4.5 e Corel Draw X3 para possível aplicação no debate acerca da Questão Agrária, sobretudo no tocante à dinâmica da luta pela terra e relações de trabalho. Nossos exemplos justificam-se pelo fato de nossas pesquisas estarem vinculadas aos grupos de pesquisa NERA – Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária e CEGET – Centro de Estudos de Geografia do Trabalho, ambos ligados ao estudo da geografia agrária.

Para a realização deste trabalho partimos da proposta teórico-metodológica de Girardi (2008), que afirma que a cartografia geográfica nos permite uma maior aproximação da realidade e aplicação da intencionalidade do autor a partir da aplicação de uma teoria crítica que, por conseqüência, caracterizará o produto cartográfico como um importante instrumento geográfico de análise, visto que este representa e compreende um conjunto de elementos fundamentais para explicitar o paradigma ao qual o autor está vinculado e, possivelmente, permitir-lhe alcançar os resultados almejados:

Por isso, a partir da teoria crítica do mapa, demonstramos que o mapa não é particular à nenhuma corrente em específico, mas, tal como um texto, transmite a visão de mundo de seu autor e é por excelência parte do discurso geográfico e instrumento de análise geográfica. Assim, a teoria crítica do mapa é o primeiro ponto de aproximação com a Geografia Crítica. O segundo ponto de contato é considerar, na utilização do mapa nas pesquisas geográfica, os princípios da Geografia Crítica, o que significa enfatizar as desigualdades sociais na análise do espaço geográfico com o uso do mapa. (Girardi, 2008. p. 25-6)

Assim como a importância da compreensão de nossa abordagem, vale ressaltar também que alguns conceitos serão estruturantes para a realização dos nossos trabalhos e que por sinal evidenciará a teoria crítica ao qual estamos vinculados e que será expressa nos produtos cartográficos realizados. Assim, em nossa abordagem estará incutida a discussão sobre o conceito de “Questão Agrária” que surge com Kautsky (1986), que defende a tese do fim do campesinato decorrente do processo de assalariamento do camponês ou sua transformação para capitalista, o qual nos servirá como referencial teórico que permeará a discussão do surgimento de uma problemática no campo como conseqüência do avanço do sistema capitalista, que, por essência, se apropria dos meios e relações de trabalho, produção e das propriedades, causando profundas transformações socioeconômicas, na qual a luta pela terra, contraditoriamente, é importante elementar em nossa abordagem (Fernandes, 2005; Thomaz Junior, 2007).

Pesquisas sobre esta temática são realizadas no NERA, onde atualmente mais se explora e aplica a proposição de Girardi (2008), principalmente demonstradas nos relatórios DATALUTA 2007 e DATALUTA PONTAL 2007, possibilitando, assim, uma maior aproximação entre o debate teórico, a análise e representação dos dados e a compreensão da realidade. É justamente por meio da intencionalidade contida nos produtos cartográficos que ocorre essa aproximação entre o produto cartográfico e a corrente paradigmática ao qual o pensamento do autor se vincula.

Por fim, será por meio de uma análise relacional da Questão Agrária que aplicaremos a proposição teórico-metodológica de Girardi (2008) para compreender os problemas referentes à intensa concentração da estrutura fundiária; aos processos de expropriação, desemprego e exclusão dos camponeses, e exploração de trabalhadores assalariados sob o enfoque de uma teoria crítica aplicada a cartografia geográfica.


Na próxima aula instalaremos o programa....

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